FILAS DE BANCOS, O PROCON E O
MARAUÊ
Por Altevir José
Esteves (*)
Na semana passada aconteceu de
novo. O PROCON de Teresina foi à luta
contra as filas dos bancos. Percorreu agências, entrevistou clientes, gravou
entrevista para TV e blogs, fez e aconteceu. Resultado? Eu diria nenhum em
proveito do consumidor, razão maior de sua existência.
Tem sido assim. No máximo, aplicam
multas com base na lei municipal, da qual a instituição financeira ré pode
recorrer, justificar e poucas vezes têm que desembolsar valores de seu cofre. Isto
porque além das faculdades que a lei municipal abre para as exceções, a
instituição financeira usa e abusa dos recursos jurídicos, esquivando-se do
ônus. Cassar alvará de funcionamento de uma agência bancária? Não se conhece um
caso sequer.
Há poucos dias uma peça teatral
humorística foi barrada no Teatro da Assembléia porque um dos atores escreveu
uma piada no facebook (um pouco sem gosto), ironizando a cidade de Teresina,
comparando-a, de maneira chula, com uma parte do corpo humano. O deputado Fábio
Novo zangou-se, deu entrevistas, bradou e trocou farpas com um colunista da
Veja on-line, braço digital da revista VEJA.
Bobagens. Ninguém ganhou nada com
isso. Perdemos um espetáculo com atores “globais” e mais uma vez nossa cidade
ganhou páginas da mídia por uma causa não motivadora. “O povo precisa ter mais
senso de humor”, disse o veterano humorista Juca Chaves, prolator primeiro da
frase desdita.
Filas de banco costumam ser de
clima tenso. As pessoas que ali estão sempre têm um motivo para stress. Uns
estão no sufoco financeiro e precisam de empréstimos; outros têm dinheiro e
brigam por uma taxa melhor; a maioria tem o que fazer e já perdeu tempo demais
no trânsito e no trabalho; os bancários estão sufocados por metas e cobranças
de toda a sorte; o gerente quase nada pode fazer, porque também é vítima dos
patrões/banqueiros, que querem lucros exorbitantes e por isso reduzem o quadro
de funcionários ao mínimo dos mínimos; os funcionários estressados adoecem e
faltam; a fila aumenta. O PROCON aplica multas; de novo o consumidor só perde,
e briga, grita, dá escândalos nas agências. E não ganha nada.
O Teresinense precisa procurar as vias
corretas de resolver seus problemas. Nos dias de hoje, ficar uma hora ou mais
numa fila, seja do que for, é perda de tempo, é constrangimento, é ser feito de
bobo. Isto é dano moral e material. E quem passa por isso deve ser indenizado. Hoje,
com os recursos tecnológicos de que se dispõe, não tem cabimento as empresas
demorarem tanto tempo para atender seus clientes, “razão maior de suas
existências”, como apregoa a maioria delas.
Os bancos se defendem dizendo que
o cliente tem outras opções de atendimento, como saques automáticos, internet,
call center etc. Não é assim que funciona. Para utilizar tais recursos são
necessárias maiores explicações ao cliente/usuários, mais gastos. Isto envolve
mais funcionários, mais tempo. Não, os bancos não querem mais despesas. Eles têm metas financeiras, estatísticas, obrigações
com a bolsa de valores etc.
O ser humano e as empresas de
modo geral tendem a dar prioridade a quem estiver mais incomodando. Quem não
reclama, não ganha. Exemplo disso é uma grande instituição financeira de
capital nacional, que há quatro anos trabalha um projeto para melhorar o atendimento
de suas agências no país. Pois bem, o Piauí é o único estado onde o tal projeto
não foi implantado. Por outro lado, em várias unidades da federação, como São
Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Ceará e o Distrito Federal, os
juízes muito já têm decidido a favor do consumidor lesado em filas bancárias. Em
processos dessa natureza, sentenciam aplicando indenizações contra instituições
financeiras. Estamos atrasados. Muita coincidência, não?
Não adianta espernear, chorar,
dar ataques nervosos. Os bancos não têm coração, têm é cofres! Ataquemos então
a sua parte mais sensível. Teresina tem lei municipal que disciplina o tempo de
atendimento nas filas bancárias. Vamos utilizá-la a favor do consumidor, razão
maior da promulgação da referida normal legal.
O piauiense de modo geral precisa
mostrar de fato o seu valor, e no foro adequado. Ao humorista, se responde com
humor; ao deputado oportunista, se responde com a negativa do voto no próximo
pleito; ao banco insensível, com ações reparadoras.
Ao ficar mais tempo do que o permitido
na lei municipal, procure um advogado e vá à justiça. Exija danos morais e
materiais. Só assim a lei serve para alguma coisa e o consumidor ganha esse
jogo em algum momento. O cofre do banco
não há de derramar uma gota de lágrima.
Exigindo nossos direitos,
ajudamos a construir a democracia, proporcionando auto-estima na população, melhorando
a cidade. Talvez assim o teresinense possa divulgar, com orgulho, o seu novo
slogan: “SE O MUNDO TEM UM CÉU, O CÉU DO MUNDO É AQUI”, (divulgado pela
SA Propaganda, empresa pauiense).
( * ) Altevir José
Esteves é advogado do escritório Altevir Esteves Advocacia e Consultoria,
gerente aposentado do Banco do Brasil, professor, escritor, membro das
Academias de Letras de Parnaíba e de Alto-Longá-PI.
E-mail
causanobreadv@hotmail.com
